terça-feira, 19 de outubro de 2010

SEMNÁRIO COM PURA CANCINA

AÍ ESTÁ O QUE FOI POSSÍVEL APREENDER, DESSA EXPERIÊNCIA!




QUAL A FUNÇÃO DO SINTOMA NO FINAL DE ANÁLISE?
- a lógica do nó borromeu - escritura de Joyce
Durante todo seminário RSI: é suficiente três ou precisa de um quarto elemento para amarrar o nó?
- o complexo de Édipo freudiano se reduz ao nome do pai
No desenho do nó: -diferenciação dos registros
-falta da heterogeneidade dos registros;
-os três registros freudianos: inibição, sintoma e angústia.
-nesse rearanjo que é o nó, há uma função nova que é a nomeação. Que implica uma função simbólica da realidade psíquica freudiana: -a psicose paranóica é um nó de três
-o nó do trevo exemplificado pelo nó de três sem a nominação – os três registros na realidade psíquica.

Lacan se utiliza da obra de Joyce para lançar que a verdade se alcança com fazer quando se pode produzir o deslocamento dos registros.
No fim do seminário RSI, Lacan promete que o próximo se chamará de 4,5,6, mas não é.

No seminário 23, Lacan vai renunciar ao 4,5,6. E nas primeiras páginas tentar situar o papel de Joyce na construção dessa obra.
- o pai de Joyce, não manteve esse nó anulado.
Na primeira página vai explicar a diferenciação entre sintoma e sinthoma. Onde a origem do H vai remeter a Joyce e a Ulisses. É um retorno a obra porque não há um começo.
-uma injeção de grego - invenção de um pai L’elangues


Alongamento da língua.

Outra questão que permeia esse seminário. Será que James Joyce estava louco?
-utilização do entusiasmo maníaco para a escritura.
-transmissão de enigmas



SINTHOMA SIN= pecado = nobre sentido da falta
Pecado com consciência da falta
Que nos remete ao gênese: a idéia de que a mulher não existe e por isso não existe a relação sexual.
-é algo que não cessa de não se escrever , como o Real e a mulher.
-o sinthoma responde pelo que falta.
-noção de palavra-valise: Sainthome (Santo lugar/santa casa)


Sentido levistrausiano (para ser um santo homem, basta que não cometa o incesto)

Saint tho Madaquim a paternidade de São Tomás, que dá legitimidade a epifanias
Epifania como manifestação da essência - manifestações dos deuses do real (deuses pagãos)
Inclusão dos pais no sintoma.

-a função da nominação, que provém do simbólico LETRA

O nome do pai METÀFORA

nominação LETRA



-a função da suplência aparece pela primeira vez no seminário 4, quando trata da fobia do pequeno Hans. Com a função que o cavalo cumpriu em recuperação a função do pai.


Outra questão: James Joyce era invadido por vozes, ou se deixava invadir?
A resposta está no saber fazer, até chegar ao segredo da linguagem.
E porque não estamos todos loucos? Porque contamos com o imaginário.
A realidade psíquica nó de 6 – cristalização do sintoma freudiano


E o que tudo isso nos traz para a direção da cura?
Uma prática de corte e recalcamento ;
reanodamento numa prática para chegar a algo que se possa aí fazer – saber fazer com o sintoma.



QUESTÕES
1.como definir o sujeito?
A função da letra, que a assinatura cumpre - com respeito ao nome próprio
2.a mulher como sintoma para o homem
A mulher é não-toda, a escritura das fórmulas da sexuação dentro da significação fálica, mas não-toda.
3.a sublimação é um destino pulsional que rompe com o imperialismo da linguagem.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Uma questão(s) sobre o seminário 23?

Com a vinda de Pura Cancina temos a oportunidade de confrontar-nos com questões a respeito de nossa prática clínica. Em nosso trabalho com crianças e adolescentes, uma queixa muito freqüente que nos chega tem relação com crianças que apesar de estarem na idade da alfabetização, não sabem escrever; e com menos freqüência, até adolescentes que constantemente são apontados pelos professores com dificuldades para escrever. E que apesar de freqüentarem a sala de recursos e o reforço, insistem em não produzirem um texto escrito por mais simples que seja. Muitas vezes essa dificuldade na escrita, está também associada à leitura: são incapazes de ler em voz alta, na frente dos colegas, das professoras, dos pais e da analista. O que nos leva a indagar o que estaria escondido como mensagem desse sintoma. Ou diríamos sinthoma?
E porque estabelecer uma relação com o seminário 23? Sob meu ponto de vista esse seria o seminário que vem tratar justamente da escrita, da escritura e da letra. Pra que alguém melhor que Joyce para dominar a língua escrita e assim mesmo ser capaz de criar uma linguagem? Isso está posto, mas de que maneira podemos tomar como recurso esse seminário tão difícil, em nossa prática com crianças que apresentam dificuldade na leitura/escrita? Que há um gozo aí até compreendemos, mas existe, ou deveria existir um savoir-faire nisso e de que forma podemos identificar?
Na verdade seria apenas Uma a questão a ser trabalhada, mas ao longo de uma breve reflexão surge outra série de dúvidas que podem estar relacionadas com esta. E podemos pensar também no manejo dessas questões na clínica com crianças e de que forma podemos nos utilizar dos significantes, que por vezes podem surgir aos nossos atentos ouvidos. Quem sabe Uma questão não para ser resolvida hoje e nem nesse momento, mas uma forma de articular a teoria com a prática. E mais adiante, quem sabe uma forma de lidarmos com a indagação que nos surge na clínica e que muitas vezes deixamos de articular como um recurso que pode nos acrescentar muito em nossa escuta e também na forma como conduzimos um tratamento de orientação psicanalítica.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Seminário, livro 23

O sinthoma

Jacques Lacan

SINOPSE


Acompanhando de perto os lançamentos na França, Jorge Zahar Editor publica mais essa grande contribuição para o campo psicanalítico no Brasil. Um dos últimos e mais complexos seminários de Lacan, sobre a não menos complexa obra de James Joyce.

• Jacques Aubert, especialista em James Joyce, redigiu notas de leitura sobre as passagens de Joyce mencionadas por Lacan.

• Traz ainda: uma palestra que Jacques Aubert apresentou durante o seminário, revista por ele especialmente para essa obra. E também: "Joyce, o sintoma", palestra que Lacan apresentara na Sorbonne em 1975.

• James Joyce é autor de obras clássicas como Retrato do artista quando jovem e Ulisses. Lacan interessou-se por estudá-lo por causa da peculiar relação entre Joyce, o processo de escrita de seus livros e o fato de ele se colocar fora da via da psicanálise.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

BFC E SEUS CONVIDADOS



"Do Sintoma Freudiano ao Sinthoma Lacaniano".
PURA H. CANCINA
•Psicanalista.
•Doutora da UNR. Desenvolve seu ensino na Universidade e na Escuela de Psicoanálisis Sigmund Freud - Rosário - Argentina.
•É docente permanente da Après-coup (Instituição psicanalítica de Nova York).
DATA:
16 de Outubro de 2010 Sábado
HORÁRIO: 09:30
INSCRIÇÃO:
Profissionais: R$ 100,00
Membros: 80,00
Estudantes: R$ 60,00
LOCAL:
Biblioteca Freudiana de Curitiba

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O caso de Roberto.

Nasceu em 4 de março de 1948 e pouco se sabe de sua história pregressa. O pai é desconhecido e a mãe está internada como paranóica. Ela ficou com ele até a idade de 5 meses, sem residência fixa e negligenciando os cuidados essenciais. Precisou ser hospitalizado num estado de hipotrofia e desnutrição. Quando melhora, é devolvido quase que a força para a mãe. Aos 11 meses precisa ser novamente hospitalizado novamente com desnutrição. Agora está definitivamente abandonado pela mãe de quem não se sabe mais notícia. Devido a sua condição clínica, teve que viver nos mais variados abrigos, ambientes e hospitais, nunca tendo-se reproduzido o ambiente familiar. Ele chegou ao abrigo onde esta sendo atendido, aos três anos e nove meses. Tinha dificuldades no movimento da marcha e na linguagem, só sabia dizer duas palavras que gritava: Dona e O lobo! Esta palavra gritava o dia todo o que fez Rosine lhe chamar de menino lobo, sendo essa a palavra que o representava.
Do ponto de vista do comportamento era hiperativo, o tempo todo agitado por movimentos bruscos e desordenados. Perturbações variadas do sono, tinha crises de agitação convulsiva e berros dilacerantes; não podia suportar as portas abertas, o escuro e os gritos das outras crianças e sobretudo as mudanças de quarto. Mas raramente tinha crises diametralmente opostas em que ficava completamente prostrado, olhando sem finalidade, como depressivo. Com os adultos era hiperagitado, e não era capaz de manter contato. Quanto às crianças ignorava, só reagindo quando uma delas chorava ou gritava, entrando numa crise convulsiva. E agia com agressividade sendo preciso mante-lo amarrado a noite e durante as refeições. Rosine preferiu manter em tratamento sem saber muito bem em que categoria colocá-lo. O tratamento conheceu muitas fases, sendo a primeira com duração de um ano.
Ao longo da fase preliminar, seu comportamento se repetia durante as sessões. Agitado e com gritos guturais. Os objetos que tomava, logo rejeitava ou empilhava em cima dela. Nessa primeira fase notou que não se aproximava da mamadeira, e mostrava grande interesse pela bacia cheia de água, que vinha acompanhado de uma verdadeira crise de pânico. Essa fase preliminar de atendimento terminou em uma noite em que, após a hora de deitar, em pé na cama, com tesouras de plástico tentou cortar o seu pênis diante das outras crianças terrificadas.
Na segunda fase do tratamento, começou a expor o que era para ele o Lobo! Gritava isso o tempo todo. Começou um dia tentando estrangular uma menininha que eu tratava. Foi necessário separá-los e colocá-lo em outro quarto. Sua reação foi violenta, sua agitação intensa. Precisei vir e levá-lo para o quarto em que vivia de hábito. Logo que chegou lá, berrou: _ O lobo! E começou a jogar tudo pelo quarto, era o refeitório _ comida e pratos. Nos dias seguintes, cada vez que passava diante do quarto onde tinha sido colocado, berrava: _ O lobo! (p.112) Quando avistava uma porta aberta logo corria para fechar e gritava: o lobo! Um dia, quando tinha acabado de tomar a mamadeira, foi abrir a porta e estendeu a alguém imaginário. Este episódio levou Rosine a hipótese de que a porta aberta e o leite estivessem ligados.
No início do tratamento acreditava-se obrigado a fazer cocô na sessão, pensando que se me desse alguma coisa me conservaria. O que leva Rosine a relacionar a defecação com a destruição causada pelas mudanças. Quando fazia coco nas sessões, gritava:_ O lobo! O lobo. Ao mesmo tempo sabia que Rosine não lhe exigia que entregasse o cocô e logo tratava de escondê-lo. Então começou a ser agressivo contra ela e a partir desse dia não se sentiu mais obrigado a fazer cocô durante a sessão, empregou substitutos simbólicos como a areia. Não sabia diferenciar entre ele próprio, os conteúdos de seu corpo, os objetos, as crianças e os adultos que o cercavam. Certa vez, correu para a janela, abriu-a e gritou: _ O lobo! O lobo! E vendo sua imagem no vidro bateu nele, gritando: _ O lobo ! O lobo! “Para ele, todos os conteúdos estão unidos no mesmo sentimento de destruição, permanente de seu corpo, que, por oposição a esses conteúdos, representa o continente, e que ele simbolizou pela mamadeira quebrada, cujos pedaços foram enfiados nesses conteúdos destrutivos.”
Depois disso, ele exorciza O lobo. Passou a diferenciar os conteúdos do seu corpo do ponto de vista afetivo. Através do esvaziamento do penico e das interpretações de Rosine. Tinha adquirido a idéia de permanência de seu corpo. Suas roupas eram para ele o continente, e quando precisava tirar a roupa entrava em crise, que chegava a durar três horas. Nessas ocasiões berrava: _O lobo! Correndo de um lado para o outro e atirando sobre as outras crianças as fezes que encontrava nos penicos.
Na fase seguinte, Rosine se torna O lobo! A agressividade estava voltada contra ela. Rosine coloca-se no lugar de mãe esfomeadora. Obriga ela a derramar uma mamadeira, privando-o assim de sua comida boa. Grita:_o lobo! Essa mamadeira passa a representar a má comida, e reenviava a separação de sua mãe que o havia privado de comida e a todas as mudanças que havia sido obrigado. Ofereceu a ela também outro papel, o da mãe má que vai embora. Noutro dia, reagiu quando havia visto Rosine ir embora outras vezes e sem poder exprimir a emoção que sentia, fez xixi nela num estado de grande ansiedade e agressividade também. Essa cena teve como resultado carregá-la de todo o mal que tinha sofrido e de projetar O lobo nela. E a partir disso houve uma mudança total no comportamento de Roberto, dando a impressão de que ele tinha exorcizado O lobo!
Então passou a regressão intra-uterina, quer dizer a construção de seu corpo. No início, excessivamente agitado, tomou consciência de uma certa realidade de prazer, e tudo terminou em duas cenas capitais. A primeira delas, inteiramente nu na frente dela, pegou água com as duas mãos juntas e fez escorrer pelo corpo, repetindo duas vezes: _Roberto, Roberto. Outra vez pegou o leite, derramou sobre o corpo, especialmente sobre o pênis com grande prazer. Tomou o pênis sobre a mão e mostrou a Rosine.
Nas fases subseqüentes passou ao estádio da construção oral. Depois do batismo pela água e pelo leite, Roberto começou a viver a simbiose que caracteriza a relação primitiva mãe-criança. Mas quando a criança vive essa relação verdadeiramente, não existe problema em relação ao sexo. Mas não nesse caso, uma vez que Roberto não podia conviver com meninas. Ele devia fazer uma simbiose com uma mãe feminina o que o colocava diante do problema da castração. O problema era chega a fazê-lo receber a comida sem que isso implicasse a sua castração. Se recusava a receber de Rosine o alimento, achando que isso poderia fazer dele uma menina. Tentou se diferenciar dela, oferecendo comida e dizendo: _Roberto, depois se apalpando e dizendo:_Não Roberto. Roberto observava que depois que ele era atendido, subia para atendimento as outras meninas que Rosine atendia, por isso era uma questão de castração. A situação fazia com que ele se sentisse menina porque era uma menina que fazia romper essa simbiose com ela. O quadro clínico dele mudou, as perturbações motoras desapareceram e passou a ser mais amigável e protetor das crianças menores.
Depois Rosine sai de férias e durante sua ausência o comportamento dele se mantém como era. Soube-se que quando Roberto fora operado (antrotomia, aos cinco meses), não havia sido anestesiado, e que durante essa operação dolorosa, se mantinha a força em sua boca uma mamadeira de água açucarada. Esse episódio esclareceu a imagem que ele tinha de uma mãe esfomeadora, paranóica e perigosa que o atacava. Suas fantasias oral-sádicas tinham se tornado realidade.
Ultimamente Rosine precisou confrontá-lo com a realidade, pois ela esteve ausente durante um ano e voltou grávida. Começou a brinca com fantasias de destruição dessa criança. Durante o parto o marido dela continuo o tratamento. Quando voltou com a barriga lisa, percebeu que Roberto estava persuadido de que suas fantasias tinham se tornado realidade, que ele tinha matado a criança e que agora ela iria matá-lo. Ficou extremamente agitado até que pode dizer. Então Rosine levou o bebe até ele para que ele pudesse fazer o corte e seu estado de agitação caiu brutalmente. No inicio do tratamento nessa criança havia apenas o real e não havia nela nenhuma função simbólica e ainda menos imaginária.